terça-feira, dezembro 07, 2004

Quem me dera ser poeta como o Mário!

O CE(nte)NÁRIO

Si, porque realmente he pasado el fin de semana en España. El autobús decía Coimbra pero debe tener dado una gran vuelta mientras dormía…

Estavam muitos seres que eu nunca tinha visto mas sorriam-me fraternamente (vulgo como irmãos). Uma menina simpática fez-me um cachecol muuuito comprido enquanto conversava com o Boby que lavava o chão da cozinha com uma espécie de esponja vermelha encharcada que lhe saía da boca, a cada pegada de vinho que passava. De vez em quando o Boby transformava-se, não sei se devido às lambidelas, e aparecia no corredor e nas escadas sob outra forma e com outro pêlo. Entre os pés dos gigantes festejavam as pulgas brindando a cada sugada nos calcanhares, fazendo-os cambalear ebriamente. Na sala principal os tais gigantes, máquinas em forma de gente… não percebi se era preciso meter uma moedinha ou se funcionavam a energia eléctrica… uma abanava a cabeça ritmadamente, ora devagar, ora mais rápido, de um lado para o outro, parecendo que a cada impulso se iria descolar do corpo e saltar para junto das pulgas, e os olhos “muito grandes, muito espertos”, muito vermelhos, cansados de tanta informação assimilada, sempre atentos, sempre atentos. Outras abriam e fechavam a boca em modos robóticos, soltando sons estranhos que repetiam a cada novo encontro com nova máquina. Outras deitavam um fumo cheio de estilo pela boca e pelo nariz, não sei se pelas orelhas também (talvez sobreaquecidas com tão complexo mecanismo cerebral). Outras abriam ocasionalmente a boca para mostrar os dentes e, quando fechavam, os olhos pareciam ficar tristes e sós novamente. Algumas gritavam. De cinco em cinco minutos havia um abraço fraterno. Como irmãos.

Aos primeiros raios de sol começaram a desfalecer, pálidos, de bocas e olhos vermelho tinto. VAMPIROS. RATOS.

Fui feliz também. Agora jamais poderei ver os belos raios de sol.